quarta-feira, abril 27, 2005

Delírios da Loirinha 3

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-É a primeira vez que contrato uma acompanhante. Honestamente sinto-me constrangido!-confessou.
- Não se preocupe! Vai correr tudo bem, serei discreta e evitarei falar.
-Pago agora ou depois?
-Diz o ditado que quem paga adiantado é mal servido. Paga depois.
-Estas reuniões sociais não me agradam. Temos de sorrir ainda que não o queiramos, comer o que não gostamos e dar razão a pessoas que detestamos. Acho que estaremos de regresso antes da meia noite.
Ao sairem do carro ela levantou a ponta do vestido para que não roçasse no chão. Ele olhou-a de soslaio. «Tem umas pernas bonitas»-pensou.
Ao entrar na festa tropeçou e ele num gesto rápido, conseguiu segurá-la.
-Lindo papel, senhora acompanhante! Foi assim que a ensinaram a entrar numa festa?
Ela corou e pediu desculpa e ele sorriu.
O resto da festa correu sem insidentes. Por volta da meia noite sairam.
-Poderia ter a gentileza de me levar a casa ou prefere que apanhe um taxi?
- Convido-a para tomar um copo. Aceite por favor. De qualquer modo ainda é cedo. Até que horas posso contar com os seus serviços?
-O aluguer ja terminou, mas aceito.
Foram até um bar e sentaram-se frente a frente. Ele pediu dois whiskys. Bebeu o seu quase de um só trago e começou a falar. Durante a conversa ele agarrou-lhe a mão e ela sentiu-se incomodada com a proximidade. Pareceu-lhe estar na presença de um homem solitário e sofredor. Ele contou-lhe que tinha estado noivo mas a mulher havia falecido num acidente de automovel. Acima de tudo parecia sentir-se culpado pelo sucedido.
Ela sentia-se atraida por ele. Sentia desejo de lhe passar as mãos pelo cabelo, acaricia-lo. Mas deteve-se.
Ele olhou-a nos olhos e foi-se aproximando até roçar a sua boca na dela. Trocaram beijos suaves, acariciaram os lábios um do outro com as linguas e tornaram a beijar-se.
Quando o empregado lhes disse que iam fechar, eles apertaram-se um contra o outro e sairam abraçados em direcção ao carro. Ele conduziu em silêncio até ao local onde morava.
-Queres subir? Podemos conversar mais um pouco
Ela anuiu com a cabeça. Subiram no elevador...

(Continua...)

PS- Confesso que tenho fetiche por elevadores e espelhos de elevadores....ihihihihi!

terça-feira, abril 26, 2005

Delírios da Loirinha 2

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No dia combinado ela arranjou-se e dirigiu-se ao local combinado para servir de acompanhante.
Às nove em ponto tocou a campainha do escritório. Tentou imaginar a quem teria de servir de acompanhante. Talvez se tratasse de um homem repugnante, barrigudo, na pior das hipóteses careca... Engoliu em seco.
Nervosa bateu à porta.
-Entre, está aberta.
Um homem com cerca de 30 anos estava de costas a olhar para a janela. Ela tossiu nervosamente. O homem voltou-se lentamente. Era atraente e a sua pele bronzeada combinava com o cabelo negro. Os olhos eram castanhos e inexpressivos.
«Vamos lá ver com quem vou sair esta noite»-pensou ele.
Ela esboçou um sorriso, mas, ao olhá-lo, viu que o seu sorriso era frio. Ela sentindo-se embaraçada desviou o olhar.
-Se acha que não sou a pessoa adequada para o acompanhar diga que eu retiro-me- respondeu ela timidamente.
- Não está mal- respondeu ele. A sua figura era esbelta, e o vistoso vestido deixava antever um corpo belo e uns seios firmes. Ele afastou o olhar para não parecer grosseiro. Há muito tempo que não comtemplava assim uma mulher.
- Não se incomoda se eu a deixar sozinha por um momento? Tive um dia atribulado e não tive tempo de passar em casa para trocar de roupa mas a minha secretária foi buscar-me o smoking a casa e ía mesmo agora tomar um duche rápido aqui na casa de banho do escritório.
-Não tem problema... eu aguardo.
Ele saiu e em seguida ela ouviu o jorro de água do chuveiro a correr. Ela imaginou-o sobre o duche. Mas, voltou à realidade e censurou-se por estar a pensar em coisas tão triviais.
-Preparada para sair?
Quando ela olhou para a porta da sala onde se encontrava, ele sorria-lhe. Aquele homem deveria arrancar suspiros por onde passava. Porque necessitaria então de uma acompanhante?
Entraram no elevador. O perfume dele inundava tudo. Estavam bastante proximos. Ambos se olhavam, tentando detectar no outro um sinal que lhes dissesse algo mais sobre como eram, mas ambos pareciam impenetráveis.
Entraram no carro e sairam da garagem do prédio.
Pelo caminho foram conversando sobre alguns pontos primordiais afim de se conhecerem melhor....

(Continua...)

segunda-feira, abril 25, 2005

Delírios da Loirinha 1

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"Acompanhante para qualquer ocasião. Garante-se sigilo absoluto. Tel:22 837XXXX".
Ele folheava o jornal e o anuncio saltou-lhe à vista. Um sorriso iluminou-lhe o rosto. Era disso que precisava. Marcou o numero...
Sentada no sofá ela lamentava a sua vida. Problemas financeiros tinham-na levada a fazer algo que para ela seria impensável. E se alguém me liga? (pensou).
Começou a chorar. Estava só. Nunca poderia ter imaginado que um dia passaria por aquela situação. A sua vida estava um caos.
Estava absorta com os seus pensamentos quando o telefone tocou.
-Olá- foi o que lhe ocorreu dizer.
-É do 22 837XXXX?
- Sim, é.
-Estou a telefonar por causa do anuncio de acompanhante.
-Sim.
-Que idade tem?-perguntou a voz masculina.
-Quase 25 anos. Parece-lhe bem?
-Sim. Necessitava de uma acompanhante para um jantar informal mas de cerimónia.
-Em que dia e local quer que a acompanhante se apresente?
-No próximo sábado às 20h00. Poderia vir ter ao meu escritório que fica na Rua 25 de Abril, nº69?
-Combinado. O preço por cada acompanhamento é de 100 euros.
-Está certo. Obrigada! Adeus...

(Continua...)

sábado, abril 23, 2005

Testemunhos de VIH /SIDA

Porque o meu blog fala de AMOR e amar significa proteger a pessoa que se ama:

“Fui infectada através de uma relação sexual, tinha 15 anos. Foi o meu primeiro amor, uma entrega total. O meu namorado era mais velho, tinha 28 anos. Eu era uma jovem que sonhava casar e dedicar-me totalmente à pessoa que amava. Dediquei-me imenso a ele, adorava-o, era tudo para mim! Eu era respeitada por ser a namorada do Tiago, era acarinhada por todos. Com 15 anos pensava tal qual uma menina dessa idade. Basta um homem olhar para nós e dar-nos carinho, para nos sentirmos as mulheres mais felizes do mundo. Nunca pensei em me proteger, não pensei em absolutamente nada.
(…) Hoje tenho 25 anos e quando digo a alguém que sou seropositiva há 10 anos, as pessoas não acreditam. Com esse bom aspecto?! Ainda tem aquela imagem da SIDA associada a uma pessoa débil, magra, e eu tenho 85 kg! (…) Apenas olhando para mim, ninguém acredita (…)”


Escolhi este pequeno excerto do Livro Testemunhos de VIH/SIDA (p.15) porque acredito que esta história de vida espelha alguns pontos interessantes sobre os quais vale a pena reflectir.
--Uma pessoa pode ser infectada em qualquer idade. Curiosamente os números de VIH têm vindo ao aumentar nas pessoas mais velhas, porque estas acreditam que o VIH é uma doença dos jovens.
--A SIDA não é uma doença de Toxicodependentes, Homossexuais e Prostitutas, é uma doença de todos e todos nós somos potenciais portadores. Não existem grupos de risco, existem sim, comportamentos de risco.
--Por amor tendemos a sentirmo-nos imortais, ficamos como que entorpecidos psicologicamente e tendemos a esquecermo-nos das precauções.
--A pílula pode evitar uma gravidez indesejada mas não previne contra a infecção pelo VIH.
--Só o preservativo protege contra o VIH mas tem que ser utilizado sempre.
--Por muito bom aspecto que a pessoa tenha, olhando para uma pessoa não se consegue descobrir se ela tem VIH ou não. A solução é fazer um teste nos CAD(s) que existem espalhados pelo nosso país.
--A SIDA não tem cura mas hoje em dia é possível prolongar com qualidade de vida a existência da pessoa infectada.

Como profissional de Saúde já contactei com muitas pessoas infectadas conheci muitas histórias de vida parecidas, vi muito sofrimento…Enquanto não aparece uma cura para a SIDA a única forma de a combater continua a ser a PREVENÇÃO.

Delirio da Loirinha

quinta-feira, abril 21, 2005

Pézinhosssssssssss

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Se há coisa em que sou vaidosa é com os meus pés.
Adoro pintar as unhas e usar aneizinhos nos dedinhos do meio...
Mas há uma coisa que me fascina... que me deixa louca....
Adoro que me beijem os dedinhos dos pés... fico toda arrepiada... Alucino com isso!

E tu tens fetiche por Pézinhos?

Beijinhos doces da vossa amante...

quarta-feira, abril 20, 2005

terça-feira, abril 19, 2005

Só me falta a companhia...

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Hummm como é bom estar assim...
O incenso arde, as velas bailam ao sabor do vento, a água quente como eu gosto...
Pétalas de rosas... vermelhas, para dar cor à agua, sais de banho para perfumar...
Vem... estou tão sozinha...
Preciso de alguém me que lave as costas... que me dê mimos... que me faça sentir amada...
Vem... quero-te juntinho de mim... pertinho... os nossos corpos colados...
Neste momento estou sozinha...
Só me falta a tua companhia...

Um beijinho molhado da vossa amante...

segunda-feira, abril 18, 2005

Há coisas que não são para se perceberem...

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"Há coisas que não são para se perceberem. Esta é uma delas. Tenho uma coisa para dizer e não sei como hei-de dize-la. Muito do que se segue pode ser por isso, incompreensível. A culpa é minha. O que for incompreensível não é mesmo para se perceber. Não é por falta de clareza.
Serei muito claro. Eu próprio percebo pouco do que tenho para dizer. Mas tenho de dize-lo. O que eu quero é fazer o elogio do amor puro. Parece-me que já ninguém se apaixona de verdade. Já ninguém quer viver um amor impossível.
Já ninguém aceita amar sem uma razão. Teixeira de Pascoaes meteu-se num navio para ir atrás de uma rapariga inglesa com quem nunca tinha falado. Estava apaixonado, foi parar a Liverpool. Quando finalmente conseguiu falar com ela, arrependeu-se. Quem é que hoje é capaz de se apaixonar assim?
Hoje em dia as pessoas apaixonam-se por uma questão prática. Porque dá jeito. Porque são colegas e estão mesmo ali ao lado. Porque se dão bem e não se chateiam muito. Porque faz sentido. Porque é mais barato, por causa da casa. Por causa da cama. Por causa das cuecas e das calças e das contas da lavandaria. Hoje em dia as pessoas fazem contratos pré-nupciais, discutem tudo de antemão, fazem planos e à mínima merdinha entram logo em "diálogo".
O amor passou a ser passível de ser combinado. Os amantes tornam-se sócios. Reúnem-se, discutem problemas tomam decisões. O amor transformou-se numa variante psico-socio-bio-ecologica da camaradagem. A paixão que devia ser desmedida é na medida do possível. O amor tornou-se uma questão prática. O resultado é que as pessoas, em vez de se apaixonarem de verdade ficam"praticamente" apaixonadas.
Eu quero fazer o elogio do amor puro, do amor cego, do amor estúpido, do amor doente, do único amor verdadeiro que há, estou farto de conversas, farto de compreensões, farto de conveniências de serviço. Nunca vi namorados tão embrutecidos, tão cobardes e comodistas como os de hoje. Incapazes de um gesto largo, de correr um risco, de um rasgo de ousadia, são uma raça de telefoneiros e capangas e cantina, malta do "tá bem, tudo bem", tomadores de bicas, alcançadores de compromissos, bananoides, borra-botas, matadores do romance, romanticidas. Já ninguém se apaixona? Já ninguém aceita a paixão pura, a saudade sem fim a tristeza, o desequilíbrio, o medo, o custo, o amor, a doença que é como um cancro a comer-nos o coração e que nos canta no peito ao mesmo tempo? O amor é uma coisa a vida é outra. O amor não é para ser uma ajudinha. Não é para ser o alívio, o repouso, o intervalo, a pancadinha nas costas, a pausa que refresca, o pronto-socorro da tortuosa estrada da vida, o nosso "da lá um jeitinho sentimental".
Odeio esta mania contemporânea por sopas e descanso. Odeio os novos casalinhos. Por onde quer que se olhe, já não se vê romance, gritaria, maluquice, facada, abraços, flores. O amor fechou a loja. Foi trespassado ao pessoal da pantufa e da serenidade.
Amor é amor. É essa a beleza. É esse o perigo. O nosso amor não é para nos compreender, não é para nos ajudar, não é para nos fazer felizes. Tanto pode como não pode. Tanto faz. É uma questão de azar. O nosso amor não é para nos amar, para nos levar de repente ao céu, a tempo ainda de apanhar um bocadinho de inferno aberto.
O amor é uma coisa a vida é outra. A vida as vezes mata o amor. A "vidinha" é uma convivência assassina. O amor puro não é um meio, não é um fim, não é um princípio, não é um destino. O amor puro é uma condição. Tem tanto a ver com a vida de cada um como o clima. O amor não se percebe. Não é para se perceber. O amor é um estado de quem se sente. O amor é a nossa alma. É a nossa alma a desatar. A desatar a correr atrás do que não sabe, não apanha, não larga, não compreende. O amor é uma verdade. É por isso que a ilusão é necessária. A ilusão é bonita não faz mal. Que se invente e minta e sonhe o que quiser. O amor é uma coisa a vida é outra.
A realidade pode matar, o amor é mais bonito que a vida. A vida que se lixe. Num momento, num olhar, o coração apanha-se para sempre. Ama-se alguém. Por muito longe, por muito difícil, por muito desesperadamente. O coração guarda o que se nos escapa das mãos. E durante o dia e durante a vida, quando não está lá quem se ama, não é ela que nos acompanha - é o nosso amor, o amor que se lhe tem. Não é para perceber.
É sinal de amor puro não se perceber, amar e não se ter, querer e não guardar a esperança, doer sem ficar magoado, viver sozinho, triste, mas mais acompanhado de quem vive feliz. Não se pode ceder. Não se pode resistir.
A vida é uma coisa e o amor é outra. A vida dura a vida inteira, o amor não. Só um mundo de amor pode durar a vida inteira. E vale-la também."

Miguel Esteves Cardoso In "Expresso"
Um amigo enviou-me este texto, achei muito bonito e decidi partilhar convosco...
Beijinhos doces da vossa amante.

domingo, abril 17, 2005