
"A sexualidade não entra nos primeiros capítulos de todos os romances. Alguns são um «amor à primeira vista», arrebatado. Outros, por exemplo, espantam pelo encantamento que se transforma em animosidade. Um romance transforma uma pessoa numa «alma» com rosto. Só mais tarde, se descobre o corpo e num capítulo qualquer, o erotismo casa com a paixão.
A sexualidade não tem capítulos certos em que tenha de aparecer. Mas, sem ela, uma história fica a meio, e muito do que podiam ser os últimos capítulos, talvez nos persiga, sempre que tentemos concluir outras paixões.
Evitar uma paixão, para fugir à sexualidade, leva a que se deite fora uma história antes de viver, imaginando que os gestos amorosos sejam o princípio de um desejo cheio de impulso de que devam manter-se afastados. Talvez quem o veja assim, imagine que um romance traga sempre a sexualidade no «prefácio». Mas não... Uma paixão, quando cresce para a sexualidade, guia-nos até ao capítulo em que cada romance transforma uma história de enamoramento num grande amor. Ou, então, fecha-se no ultimo capítulo, doloroso, sem o qual qualquer romance pode, em silêncio, ocupar o espaço destrutivo de uma história de terror."
Eduardo Sá In " Tudo o que amor não é"
Um beijo doce da vossa amante...


